
A Identidade, seja individual seja colectiva, forja-se em dois movimentos distintos que se alimentam mutuamante. Um dirige-se ao passado e às memórias, outro dirige-se ao mundo e ao encontro com o "outro". As narrativas individuais e colectivas são já um produto da acção da identidade sobre a memória, pesquisa e exaltação das relevâncias que são o resultado do exercício da vontade. A formação da identidade exige uma esfera pública em que o encontro com o "outro" revele aquilo que existe de diferente em nós. Quanto mais "mundo" esse encontro tiver, mais essa diferença se poderá afirmar como única. À medida que avançamos no mundo avançamos na nossa narrativa e crescemos na ideia de nós próprios como sujeitos políticos.
No Bairro da Quinta da Serra , começámos em 2007 a agir no domínio da memória e narrativas. À medida que avançávamos fomos pressentindo o que pode acontecer se esse movimento fôr feito na ausência ou deficit de mundo: pouco a pouco emergem vínculos de exaltação de uma pertença sectária. O "nós contra o mundo" corresponde a uma hipervalorização da nossa "identidade" relativamente ao "outro", que desconhecemos e não queremos conhecer. Neste contexto, as possibilidades de exercício de violência sobre o "outro" são grandes e emerge uma narrativa muito mobilizadora que o caminho se faz contra a diferença e o outro. Esta descoberta fez-nos olhar para fora do bairro.
O Cinema: O caso dos Lanternistas.
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