Ao longo da vida do projecto À Bolina foram surgindo duas ordens de questões:
1. Como intervir ao nível do público alvo do projecto, crianças e jovens, sem considerar as suas familias e o contexto do bairro? A Economia, Saúde, Habitação no Bairro, O Medo e a Violência no Bairro? Como intervir ao nível das consequências sem iludir as causas?
2. Como agir ao nível do contexto do bairro sem considerar a dimensão da cidade e a dimensão global? Como intervir ao nível das consequências sem iludir as causas?
estas 2 perguntas foram-nos conduzindo a 5 outras:
1. Qual a eficácia (gera coisas) e fecundidade (gera seres) do nosso modelo de intervenção?
2. Quais os limites dos instrumentos de apropriação do real baseados nas ciências sociais? O papel do diagnóstico social como ponto de partida da intervenção? O papel do planeamento que enfatiza os resultados sobre o processo? Como sentir o bairro "por dentro" sem perda de alteridade?
3.Em que medida o modelo reproduz e legitima o "status quo"? O paternalismo que gera dependência. Uma "capacitação" em que se dá com a mão esquerda umas migalhas da fatia de bolo que se tirou com a mão direita?
e numa pespectiva global:
4. O trabalho social em territórios em riscos de exclusão não legitima a cidade dualista ou polarizada?
5. Sem a dimensão política a intervenção social tende sempre para o neo-assistencialismo?
Não temos a intenção (ou arrogância) de dar respostas no nosso relatório de tese a estas perguntas. O testemunho do À Bolina é apenas aquilo que é, um exemplo de uma prática sobre a qual fomos reflictindo à luz da teoria política de Hannah Arendt.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
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